terça-feira, 9 de maio de 2017
Numa noite temblada de estrelas um homem caminha à rua. Seus pensamentos bailam junto as nuvens e suas vestes cantam as ondas do mar. Um jogo de personalidades invade a sua alma... ora enaltece o mundo em que vive, ora martela as lembranças que pesam sobre o seu ombro.
Ó sortes malfazejas!, que pesar trouxestes ao mundo meu!
Ah, vida insana, que jóia rara me abrilhantou!
O que faço eu sobre essa odisséia da vida minha?!
O amor sobrevive a segredos justificados?
Morbo.
Pairando sob as árvores a coruja o observa. Seus olhos acompanha aquele homem distante. Suas asas sopram a vida dele adiante.
Já fui cinza, me criei preto e branco
Sorri, chorei. Me colori. Hoje sou um turbante pintado em arco-íris.
Guardo em minha cabeça as cores que já vivi.
Guardo em minhas vestes as dores que hei de viver. Ou não.
Zelo.
Um caiçara urbano cruzou seu caminho. Ventou forte e derrubou algumas portas. O homem sem saber o que fazer deixou então a porta aberta; por mais que um cadeado estivera ali, fora destruído. O coração navega nas incertezas. O homem reconhece as suas tristezas.
Quantas águas já passaram. Quantas gotas já secaram.
No meio do meu deserto nasce uma fonte.
No meio de mim, um afronte. Deixar ou ser deixado.
Viver. Ser feliz. Viver, infeliz. Qual dos dois há de restar?
Perdoe-me por tentar.
Sem saber em que rua está o homem continua transitante. Baila vento, baila estrela. Baila lua. Caminha confiante de que seu amanhã será belo, apesar de todas as suas dúvidas. Não busca insultar ninguém, afinal só quer o próprio bem. Ele vê ao final da estrada uma linda cantoria. Segue em frente sem saber quanto tempo levará na esperança de que o Sol nascerá acalentando o seu coração, brilhando em emoção. Espera que os raios de luz sejam suficientemente fortes e sinceros a fim de que toda e qualquer poeira deixada pela rua de vida possa ser esperançada em novos futuros. Amor.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Andorinha de Verão
Conta-se eras de mundos incertos,
conta-se eras de mundos concretos. Utopia de vida transformada em realidade.
Por amor de verdade.
Conta-se gritos de histórias
inventadas. Conta-se também memórias resgatadas. Felicidade da vida, tristezas
contidas.
Um pintor saiu de seu ateliê e o
mundo foi pintar. Viu-se pássaro e então foi voar. Encontrou bela andorinha que
junto então jurou amor. Amor esse de tu e eu que outrora se viveu.
A vida, finita, tornou-se
encantada. Os dias em negrito, coloridos se fizeram. Os dias amenos se tornaram
agitados e os bosques perdidos tornaram-se jardins encantados.
Desse mundo teu e meu que criamos
- e das felicidades, histórias, memórias e vitórias que foram conquistas, as
fizemos perpetradas.
A andorinha então fez 4 verões de
alegria contada; e uniu-se famílias abrigadas num ninho conjunto. Contou-se
alegrias e tristezas, sorrisos e lágrimas. Houve guerra em busca de paz. Houve
paz em busca de guerra. Conselhos perdidos que ninguém atendeu. Corações
felizes que ninguém entendeu.
Uma fronteira então nunca foi almejada. Pra sempre e por todo o sempre aquele ninho se mantém. Foram juras de amor e de sucesso a alcançar. O meu bem será então o seu, bem como suas vitórias serão as minhas.
Nesse último verão ventanias
passaram, os galhos daquela árvore caíram aos poucos. Mas suas raízes se
mantiveram bem fortes. Um lenhador então apareceu e prometeu que daquela
floresta muitos prédios surgiriam, turbulentas vidas viriam e o cenário
mudaria.
O pintor, sagaz, borrou o
lenhador de sua tela. Pintou bela sinfonia espalhando o amor sobre os ventos
soprados daquela floresta. A família mantêm-se unida, os cantos dos pássaros já
não são tão sincronizados, mas buscam sempre o seu melhor.
O Sol então baixou. O verão
acabou. O inverno se aproxima.
Desse ninho acalentado que
ninguém nunca resolveu sair, uma andorinha então se detém. Ela se joga do ninho
e voa atrás do seu pincel, seu futuro – diz ela – será pintado diferente.
Pintará céus encantados e mundos divergentes.
Bate a asa pequenina, voa alto lá
no céu, entre nuvens de esperança e nuvem de amor. Ela sobrepõe o ninho de
verão e vai à busca do que a sua família não pode alcançar, estão cansados e
precisam descansar.
O pintor, sagaz em sua magia,
pinta então uma andorinha sobrevoando um mar de gratidão e gira forte em meio a
ele uma onda de felicidade.
Voe alto andorinha, refaça o seu
horizonte. Brilhe mais que o Sol pintado em tela. Faça suas próprias estrelas e
não chore brilhos de sofrimento. Vá em seu trajeto desajeitado em busca de um
acalentado verão. Lembre-se, andorinha de inverno, que sua família está no
ninho, esperando pelo seu sucesso. Não ouse nunca dizer que foi um ingrato a
viver no ninho, menos ainda que desprezo outrora tivera; nunca – jamais – diga
que o amor nunca viveu e que o sentimento divino morreu.
O amor, pintor meu, supera as
barreiras; vento vai, vento vem, ele precisa se adaptar. Esse amor é divergente
e baila junto ao mar. As vibrações já não são mais as mesmas, mas as ondas
continuam pulsando, os sentimentos se mantêm. Diferente todos os dias, não
significa que não o amaria.
A andorinha, desajeitada sobre o
céu, não consegue então dizer adeus. O pintor então desenha um sorriso e
perpetua gargalhas dessa condição. Ele assina amor no verso da tela e explica
que nunca precisará se despedir, pois aquele mundo foi eternizado em seu
coração. E será uma vida de voos distintos, mas de encontros repentinos.
Aprenderás a voar nos céus meus, assim como saberei nadar nos mares teus.
Não desperdice sua tinta em busca
dum verão acabado. Voe em busca de um verão renovado. Encontre-se a si mesmo e
lembre-se de sua família.
A andorinha, num último ato sobre
aquela floresta, desenha então um coração ao céu e desperdiça todo seu amor
sobre aqueles olhos cintilantes, fazendo-os lembrar que acima de tudo estará
ali. Numa nova condição de voos, mas com memórias de vidas eternas vividas, com
memórias que ninguém – nunca – jamais poderá apagar.
A andorinha, ao voar daquela
tela, rabisca então ao lado do pintor. Quem olha a tela daquele mundo lindo vê
assinado em duas cores: Amor. Gratidão.
Eu, escritor bobo que sou, ouso
ainda mais. E violo a obra daquele pintor. Rabisco ainda no verso da tela e
sobrescrevo as dores da vida, pinto forte e bem profundo, assino minha história
contada sobre essa obra magnífica: A amizade é a base para qualquer laço. Não
importa a mutação do sentimento, ela estará presente nos mares que nos detém.
Voe bela sintonia e crie histórias e brilhantina. Sonhe e faça sonhar. Viva a
realidade do seu mundo a pintar.
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Um Conto (Abstrato) do Almejar
Os teus olhos cintilantes bordaram os meus cristais. Sois belo, puro, leal; sois vida, vitral. Correndo contra o vento à beira mar, gritando pro Sol a alegria a compartilhar, caindo a noite... Luau; caindo a noite...
A marcha da vida nunca teve melodia. Sem premissas, se objetiva viver. A marcha da vida nunca teve melodia, sem ânsias e expectativas, movemos o nosso ser.
Contamos um, dois, três. Podem passar mais e renascermos um pouco depois, trocar os hábitos e os jornais. Trocar os programas de TV... Passou 4, 5, 6... Quiçá compartilhar de novas paisagens, ventos e harmonias, quem sabe então cantarmos juntos uma melodia.
A marcha da vida nunca teve melodia. Cante comigo a sua autoria! Sem almejar mais nenhum futuro, "carpe diem", assim disseram, "carpe diem" assim fizeram. Não sejas só mais um dia, mas não nade em agonias de amanhãs que não sabemos. "Aquilo que foi e que será, e até mesmo aquilo que é, não somos capazes de saber, mas quanto àquilo que devemos fazer, não apenas somos capazes de saber, como também o sabemos sempre, e somente isso nos é necessário.¹"
Não se preocupe com o amanhã, jamais! Meu hoje será teu, já que o teu hoje é meu. E sendo nosso hoje, o faremos digno de sê-lo amanhã. E enganamos essa vida sem harmonia, louca, minimalista, cuidadosa e medrosa e pularemos ondas de alegria. Ainda que eu não saiba nadar.
¹ Referência a Tolstoy
domingo, 26 de janeiro de 2014
Memórias de Nós Dois
Sopra vida em minhas vestes de solidão
Nesta estrada ladrilhada entre muitos que vem e vão
Alguns são de lata, outros só olham pro chão;
Alguns são de feno, outros esparramam a gratidão
Das árvores secas que caem ao meu lado,
dos ventos uivantes que gritam desesperados...
Da vida mórbida de uma noite finita,
trouxe você a minha cena híbrida
Sopraram estrelas douradas em meu céu nublado num dia quente de verão. Trouxe-me seus cantos e encantos e por fim a gratidão. Não era esperado que um dia soubesse eu que das tuas vestes provaria; não era propósito que de tão longe viria. Ainda que de tão perto.
Contei minutos, horas, dias; contei dilemas e calmarias. Meu oceano de glórias e derrotas eu não soube cuidar. Mas viestes tu, Poseidon, a me acalmar. Mostrar-te-ei as heranças do meu mar, cuidar-te-ei, ó, riqueza do meu lar.
Caminhando nessa praia de nós dois, uma garrafa perdida a onda trouxe, corri pensando um gênio ter encontrado, mas desmaiei profundo dentro dela quando Cupido me a entregou. Ah!, Afrodite, que belas letras me enviou.
E dessas linhas rabiscadas e alternadas eu saberei cuidar. Viajarei os sete mares pra junto de ti estar, mergulharei tão profundo nas tuas águas como nenhum Odisseu jamais fez. Enfrentarei os deuses das eras sombrias e cantarei valsas de alegria. Flutuaremos na esfera de nós dois, com um mundo, um espaço, uma galáxia que sois.
Chamemos Freya, Arianrhod e Ain, e todos mais aqueles que lhe convém. Só quero mesmo é que seja linda a nossa ida, infinita, implacável, de vida. Com muito amor e simbolismo a nossa volta. Com muitos versos perdidos em linhas tortas. Versos esses que me conta, versos daqueles que me encontro...
Encontro um mar estrelado de um lindo céu azul, com uma Lua de Sol, onde nasce um grande amor, onde os pólos se encontram... Eclipse de nós dois, junção perfeita, inseparáveis. O amor, um e dois.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Ecos do meu Coração
ecoando pelas escadas, descendo o corredor
Numa noite cega; brilha a Lua atrás das nuvens
Minha árvore secou
e ainda colho os frutos caídos
no chão do meu mar vazio
Estúpida sensatez que aflora em meu estômago
Louca, minimalista, me prendi entre as paredes
Coração vazio, seco, sem frutos
Vive a flora dos meus sonhos
Inquieto o silêncio sai pela janela
Morre então, explode num grito, dá vida a minha vida.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Canção de Mim Mesmo
Eu celebro a mim mesmo,
E o que eu assumo você vai assumir,
Pois cada átomo que pertence a mim pertence a você.
Vadio e convido minha alma,
Me deito e vadio à vontade...
Pois cada átomo que pertence a mim pertence a você.
Vadio e convido minha alma,
Me deito e vadio à vontade...
observando uma lâmina de grama do verão.
Casas e quartos se enchem de perfumes...
Casas e quartos se enchem de perfumes...
as estantes estão entulhadas de perfumes,
Respiro o aroma eu mesmo, e gosto e o reconheço,
Sua destilação poderia me intoxicar também, mas não deixo.
A atmosfera não é nenhum perfume...
Respiro o aroma eu mesmo, e gosto e o reconheço,
Sua destilação poderia me intoxicar também, mas não deixo.
A atmosfera não é nenhum perfume...
não tem gosto de destilação... é inodoro,
É pra minha boca apenas e pra sempre...
É pra minha boca apenas e pra sempre...
estou apaixonado por ela,
Vou até a margem junto à mata sem disfarces e pelado,
Louco pra que ela faça contato comigo.
A fumaça de minha própria respiração,
Ecos, ondulações, zunzuns e sussurros...
Vou até a margem junto à mata sem disfarces e pelado,
Louco pra que ela faça contato comigo.
A fumaça de minha própria respiração,
Ecos, ondulações, zunzuns e sussurros...
raiz de amaranto, fio de seda, forquilha e videira,
Minha respiração minha inspiração...
Minha respiração minha inspiração...
a batida do meu coração...
passagem de sangue e ar por meus pulmões,
o aroma das folhas verdes e das folhas secas,
da praia e das rochas marinhas de cores
escuras, e do feno na tulha,
O som das palavras bafejadas por minha voz...
palavras disparadas nos redemoinhos do vento,
Uns beijos de leve... alguns agarros... o afago dos braços,
Jogo de luz e sombra nas árvores
da praia e das rochas marinhas de cores
escuras, e do feno na tulha,
O som das palavras bafejadas por minha voz...
palavras disparadas nos redemoinhos do vento,
Uns beijos de leve... alguns agarros... o afago dos braços,
Jogo de luz e sombra nas árvores
enquanto oscilam seus galhos sutis,
Delícia de estar só ou no agito das ruas,
Delícia de estar só ou no agito das ruas,
ou pelos campos e encostas de colina,
Sensação de bem-estar... apito do meio-dia...
Sensação de bem-estar... apito do meio-dia...
a canção de mim mesmo se erguendo
da cama e cruzando com o sol.
da cama e cruzando com o sol.
Canção de Mim Mesmo,
de Walt Whitman
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
O Amor e o Ódio
Outrora ventos a soprar, outrora mortes a contar.
Aqui jaz o Amor. Cinzas.
Soprei vida em tuas margens, bordei suas panaceias
Minhas linhas em tua carne está, minha vida na sua a restar
Uivam os ventos daquele morro, bate à minha janela o grande lobo
Feroz e raivoso, os outros assim o veem. Inocente ele é.
Cena 2: Sai o Divino. Entra o Malfazejo.
Do Amor, as cinzas restou; dele, levo a dor. Dos seus caminhos nada desenhados, do seu futuro borrado. Seus mil olhos não puderam ver; cego, coitado, não quir viver. Sua vitalidade é nenhuma. Sua história é inuma.
Ó, amores de tão belas vistas, viestes tú visitar o reino das agonias. Não desperdices tuas dramaturgias!
Cena 3: Sai o Amor e entra o Ódio
(No inicio dos tempos)
Num campo vasto e reluzente brincavam dois seres especiais, suas magias eram transcendentais. Um dia, sem motivo aparente, o Divino desceu dos céus. Repousou em vestes novas e saiu ao campo a plantar. Não houve fertilidade, porém. Não houve encantos também. Houveram apenas olhares e buscas.
O Divino então falou:
- Das sementes que vos dareis, destas que lhes mostro não planteis.
Num dia belo de primavera o Amor plantou uma semente. Sem saber o que cresceria, a regou todos os dias. No último dia a regar, entretanto, chamou o Ódio a um canto:
- Das minhas vestes sairá discórdias, não explico-te por hora, mas recompensas terás e por tanto a minha semente, hoje, regarás.
Destruição, rancor, mofino. Lamentação... Clamou ao Divino. Desce o mais belo ser. Com trovões e raios descontrolados, atira contra aquele ser calado. Atirado aos pés daquela flor que brotara, consumindo por escuridão que dela gritara. Correndo rápido pelo campo, voa o Divino e resgata o Amor; ele abraçado chora toda a dor. Daquele dia em diante, vive o Ódio errante, abandonado pelos erros alheios, enquanto o amor seduz o Divino com seus veraneios.
Cena 4: À Eternidade de Dor
Dos céus mais límpidos e azuis, dos brilhos eternos de luz
A dor que ali foi plantada, nunca - jamais - será curada
Eu, Deus da Eternidade, juro-te que sofrerás
Não por mim ou por Ódio, que era teu amigo, mas sim por teus atos que mostraram-se inimigos
Viverás a dor dos encontros e dos segredos escondidos
Plantarás inúmeros amores e colherás rios de dores
Não viverás Amores Eternos e não encontrarás paz em teus ardores
Dentre muitos que surgirão, porém, deixarei-te com alguns frascos de beleza
Pois deles precisarás para viver e então com este dever cumprir
Perderás sua perfeição e o Ódio então saberá que, um dia, poderá te perdoar.
Cena 5: O Ódio
(Nos tempos atuais)
É inverdade que não sou o bem. É impuro aqueles que me mantem. Sou do campo um ser liberto, sou das vestes a incerteza do Amor, o medo de plantar. Sou as teimosias daquele que me traiu. Eu, porém, amei um dia. E deste dia não pude lembrar, minha memória foi apagada, minha história foi borrada. Daquele raio que vivi, daquele tormento que levei, minha alma foi esquecida. Já não tenho mais lembranças de um campo perfeito. Se as tenho agora, vos contarei outrora.
(No meio dos tempos)
Vivendo minha vida injustiçado, caminhei perpetrado. Eis, porém, um dia que alguém à mim olhou, tocou meu rosto e então soprou. Minhas alegrias retornaram e o encantador então eu pude ver. Caminhamos alguns milênios e muito lamentação começou a surgir. Seu nome era Beleza. Mas ela já não queria mais viver e dizia guardar grande rancor, contou-me histórias de muita dor.
Beleza era muito bem amada, todos a admiravam. Suas histórias nem sempre eram tão belas, vivia dizendo que por trás do nome muitas peripécias estavam guardadas. Antes de morrer disse sabiamente:
- Não há paisagens tão belas e tão puras que não guardem segredos. Não sou perfeição, apesar de ser assim modulada. Não engana-te com vestes lindas, procure bem mais fundo. Cave um terreno vazio e plante ali, assim poderás ver os frutos que darão.
Sua morte então explicarei.
Cena 6: Aqui Jaz a Mentira
Próximo ao momento sublime ela chegara e quando se está próximo dos Céus as inverdades caem. Logo caiu uma parte de seu corpo, eu tentei colocar no lugar, mas percebi que aquele nome não era nativo dali. Vi faces e faces, entrei em frenesi. Do meu amor secular, uma mentira restou. Abri em dor. Dos meus campos belos, veio o Amor. Dos meus campos puros, veio a dor. Do meu esquecimento, um alguém. Das minhas impurezas, a Beleza.
O Amor tentou concertar, num tiro cego me levou direto ao altar. Suas dúvidas e medos trouxeram ilusão, mas no fim sobrou apenas a razão. Uma vida de eternidade ele não pode aguentar, sua semente acabara de brotar. Fui enganado mais uma vez. O que eu fiz, Divino?! Expliqueis!
Daqueles versos bonitos que compusemos, todas as linhas foram rabiscadas. Minha memória foi regenerada. Sofri indubitavelmente, eu sei. Não foi culpa minha, o Amor deixou tudo passar. Eu absorvi os medos e amarguras, as dores do mundo. Não pude mais habitar, tive que me isolar. Beleza então surgiu para me cuidar, assim sozinho eu nunca mais iria estar. Mas Beleza revelou-se ser Amor, disfarçado, acanhado, cheio de dor. Perdoo-te, Ó, errante meu. Aquela semente maldita já não eterniza os carinhos meus. Serás Eterno enquanto dure e eu estarei sempre acompanhando seus passos. Não deixarei jamais que alguém interfiras e por ti loucuras eu farei. Não saberás a dor dos sonhos perdidos, por Amor e para o Amor eu entrarei em guerra.
Depois de narrar incertezas da história, o Divino me disse que o Ódio foi sempre Amoroso. Não soube bem interpretar, mas percebi que o Amor pode enganar. As vezes sementes de angústia crescem entre belas flores. Hoje já não sei mais sentir Amor ou Ódio. Os dois pólos se perderam. Não me resta nomear aquilo que, no mundo dos humanos, chamam sentimento. Tolos, inocentes, não sabem que Amor e Ódio um dia viveram.
Não arrisco usar tais nomes para fins sentimentais; o Divino me ensinou que devo tornar tudo abstrato. Hoje pinto a minha tela a minha maneira. Deixei os Campos e vivo nos Céus. Voo como um pássaro liberto que pousa em nuvens e sobrepassa ondas. Sou um eterno infinito de mim e, lá no fundo, lembro do Amor e do Ódio que um dia viveram. Faço deles um eu em mim. E vivo aquilo que me nomeio. Vivo aquilo que me faz. Aquilo que me move. Que não precisa nomear. Que não se descreve.
A Beleza negou suas virtudes e me ensinou a olhar o Amor, enquanto esse me ensinou que o Ódio tem origens e que ele pode não ser o culpado. Por último, ele me ensinou loucuras e esperanças, me ensinou inocência e turbulências. Uni tudo e criei um novo sentimento, mas ele se basta a mim. E a quem me toca. E a quem eu permito. No fim, volto a Cena 1 com a morte do Amor. E, acrescento que, depois dele, surge um novo ser especial, mas desta vez a história não saberá o nome de tal magia, assim não terá sementes para plantar. Aqui jaz um nome. E suas Cinzas tornaram-se minha Fênix. Eternamente minha.
O Amor tentou concertar, num tiro cego me levou direto ao altar. Suas dúvidas e medos trouxeram ilusão, mas no fim sobrou apenas a razão. Uma vida de eternidade ele não pode aguentar, sua semente acabara de brotar. Fui enganado mais uma vez. O que eu fiz, Divino?! Expliqueis!
Daqueles versos bonitos que compusemos, todas as linhas foram rabiscadas. Minha memória foi regenerada. Sofri indubitavelmente, eu sei. Não foi culpa minha, o Amor deixou tudo passar. Eu absorvi os medos e amarguras, as dores do mundo. Não pude mais habitar, tive que me isolar. Beleza então surgiu para me cuidar, assim sozinho eu nunca mais iria estar. Mas Beleza revelou-se ser Amor, disfarçado, acanhado, cheio de dor. Perdoo-te, Ó, errante meu. Aquela semente maldita já não eterniza os carinhos meus. Serás Eterno enquanto dure e eu estarei sempre acompanhando seus passos. Não deixarei jamais que alguém interfiras e por ti loucuras eu farei. Não saberás a dor dos sonhos perdidos, por Amor e para o Amor eu entrarei em guerra.
Cena 7: As Cores Se Confundem
Depois de narrar incertezas da história, o Divino me disse que o Ódio foi sempre Amoroso. Não soube bem interpretar, mas percebi que o Amor pode enganar. As vezes sementes de angústia crescem entre belas flores. Hoje já não sei mais sentir Amor ou Ódio. Os dois pólos se perderam. Não me resta nomear aquilo que, no mundo dos humanos, chamam sentimento. Tolos, inocentes, não sabem que Amor e Ódio um dia viveram.
Não arrisco usar tais nomes para fins sentimentais; o Divino me ensinou que devo tornar tudo abstrato. Hoje pinto a minha tela a minha maneira. Deixei os Campos e vivo nos Céus. Voo como um pássaro liberto que pousa em nuvens e sobrepassa ondas. Sou um eterno infinito de mim e, lá no fundo, lembro do Amor e do Ódio que um dia viveram. Faço deles um eu em mim. E vivo aquilo que me nomeio. Vivo aquilo que me faz. Aquilo que me move. Que não precisa nomear. Que não se descreve.
Cena 8: Um Nome Em Segredo
A Beleza negou suas virtudes e me ensinou a olhar o Amor, enquanto esse me ensinou que o Ódio tem origens e que ele pode não ser o culpado. Por último, ele me ensinou loucuras e esperanças, me ensinou inocência e turbulências. Uni tudo e criei um novo sentimento, mas ele se basta a mim. E a quem me toca. E a quem eu permito. No fim, volto a Cena 1 com a morte do Amor. E, acrescento que, depois dele, surge um novo ser especial, mas desta vez a história não saberá o nome de tal magia, assim não terá sementes para plantar. Aqui jaz um nome. E suas Cinzas tornaram-se minha Fênix. Eternamente minha.
sábado, 7 de abril de 2012
Poeiras de um Sábado Qualquer
Ó!, doce criança, não escondas tuas vestes de mim, da tua pele já vesti muitas e muitas vezes.
Doce sonho, eterno sonho, não se inspire em mim; meu corpo que em tu já não imagina mais.
Dos cubículos que me destes, nenhum dos sonos perdidos foi-se solitário, nenhum conto encontrado fez-se amargo. Jamais pesadelos vividos nesta fantasia recorrente.
Inspira-te em livros que leio agora e que dizem que "entre muitas outras coisas, tu eras para mim uma janela através da qual podia ver as ruas. Sozinho não o podia fazer." ¹
As vitórias teu corpo conta e das felicidades tuas almas são grandes sábias. Destas vestes que dominas, destas histórias que não contas... Vitórias entre paredes. São tuas!
Ó!, doce criança, não eternizes noites frias e desérticas. Aprendas, tu, a regozijar este corpo teu de esperanças no amanhã. Vejas a Lua lá fora, ainda que ela, lá, não esteja. Imagina-te banhado ao Sol, renascendo.
¹ Franz Kafka
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Contos de Eric Lima – Parte V
Prólogo
A minha vida tem seguido como um Oceano de segredos, no qual se mergulha profundo e podem-se encontrar tesouros que já não valem mais. Há alguns (muitos) meses eu segui minha própria jornada, num barco pequenino, cheio de emoções. As ondas eram serenas e o meu Sol sempre brilhava forte. Segui a minha vida, segui os meus desejos,. Entreguei o mais íntimo de mim e nada em troca pedi. Apenas fui.
O Oceano é muito grande, e numa outra onda eu esbarrei, logo meu barco pequenino se transformou num grande navio. Ali se festejava todos os dias e noites; o céu era iluminado não só pela Lua, mas também pela felicidade que explodia até além do horizonte. Os olhos não podiam enxergar, pois o brilho do Amor era tão forte que cegava qualquer um que tentasse, entretanto criamos uma nova maneira de viver a nossa vida, sentíamos e víamos tudo apenas com o coração e seus sentimentos mais puros e belos.
A Lua eu sempre desejei. Era tão maravilhosa e doce. Daqueles raios muito me banhei. Ele do Sol gostava mais e, assim, nos completávamos em nossos contragostos. Tudo era impecável.
Vivi muitas batalhas, mas contei muitas vitórias. Dos erros muitas aprendizagens. Até que, um dia, sem qualquer explicação. Aquela onda grandiosa que mergulhava junto comigo saltou do navio. Pela noite, enquanto eu dormia, ela mergulhou nas ondas alheias. Eu não soube e não poderia adivinhar, mas a Lua estava lá e me contou tudo alguns meses depois.
Histórias de um Luar
Contou-se muitos ventos em minhas histórias, contou-se muito de mim nas histórias de um outro alguém. Contei muito a mim mesmo que já não me pertencia a mim, contei muito aos céus que um arco-íris eu podia pintar.
Nos últimos tempos tenho plantado num campo verde com sementes promissoras, peguei um sol e o amarrei no meu céu, juntei algumas nuvens e as fazia transitar por ali as vezes. A lua eu sempre pintei com estrelas ao redor; a noite só se fazia noite porque ela estava ali.
Meu campo começou a se revoltar contra mim, não sei ao certo o que havia de errado, mas minhas plantações não geravam frutos. A minha vida eu deixei se revoltar e acabei por perder o controle. Haviam muitas placas indicando o caminho, mas risquei todas elas e simplesmente me ceguei aos céus. Com o tempo pude saber que aquelas sementes não guardavam fantasias, mas sim aquilo que era real. Não poderia eu tentar criar um sol ou ventos refrescantes, elas precisavam apenas de um pouco de realidade para poderem crescer firmemente.
Os últimos tempos não tem sido promissores, deixei de ser agricultor e passei a ser um contador de histórias. Desliguei-me daquilo que eu sempre quis fazer e me perdi em seduções do maravilhoso. Hoje tenho contado muitos contos e crônicas, meu corpo tem sido uma tela de poesias; falo muito do mundo alheio, mas esqueço a mim mesmo. São tempos difíceis, tempos de batalhas intensas, mas me percebi em mim e não me entregarei aos montes de canhões invencíveis.
Entro numa batalha infinita e acabo perdendo muito das rosas que estavam nascendo naquele meu campo tão desejado. Eu o queria florido, feliz. Mas minha tempestade quebrou muitas das minhas rosas; na verdade ela quebrou todo o meu palácio de beleza. Não é um lamento, mas não posso mentir e preciso dizer que é uma das maiores tristezas já vividas, apesar de que não sei se é assim porque eu assim o conto ou porque a minha realidade assim reflete. É uma dúvida insana que explode dentro de mim.
À Eternidade
Entre as dores do prólogo explicado, deixei o Oceano e fui plantar. Não é verdade que não o amo, pois o desejo com todas as forças do Universo que me banha. Mas a minha onda foi quebrada e persistir me levaria apenas a um mar desconhecido no qual eu deveria muito navegar e, lá na frente, com problemas comuns, ele se entregaria a ondas mais que não as minhas. Contei três vezes Ilhas desconhecidas na qual ele pisou; não há mais espaço para dores em meu coração. Ele já não enxerga mais.
Depois disso, me tornei agricultor. A Lua contou. Mas, não quero perdê-lo de vista, apesar de todos os erros nos amamos. Mas um amor louco que sempre busca brechas. Por isso, me fundi a Lua. E ele, ao Sol. Hoje passo as minhas noites plantando para que durante o dia ele possa vir com os seus raios e aquecer os meus frutos e, assim, o faço presente em minha vida. Não o quero longe, mas não o sinto tão perto como antes. Ele se afastou antes que eu pudesse pedir pra que não fizesse.
Minhas flores choram demais. Minhas raízes estão presas nas ondas dele. Meus frutos nascem felizes, mas minha Lua não o encontra no céu. Somos dois que deveriam viver em um. No eclipse nos encontramos.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Um Verso Assassino
Meus sonetos contam minha vida
Meu coração escreve cada refrão da minha melodia
Sangro minhas felicidades, sangro minhas dores
As cores mais belas criei,
os suspiros mais profundos te dei
Te fiz meu mundo e mergulhei
Minha árvore chegou a Primavera
Dos seus galhos muitas flores nasceram, muitos frutos morreram
Do seu tronco muitas marcas surgiram
Meus poemas são quase que um grito
Minhas escritas se tornam um atrito
Fujo da realidade, sou a queda de um meteorito
A Terra completou uma volta completa,
mais dois meses se passaram
Algumas angústias restaram
Meu soneto foi borrado por um refrão malcriado
Ensinei tantas vezes, mas ele foi desgraçado
Lutei em vestes brancas, estou todo manchado
Foi-se belas harmonias, foi-se bela melodia
As minhas mãos carregam amor, o meu corpo treme como um tambor
Minha razão já não funciona mais
Ó histórias incriveis de minha vida
Por que criar um refrão tão indigno a nós?
Dois, um, dois; você e eu; você, eu. Ainda assim nos confortando.
Assinar:
Postagens (Atom)









