segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Ecos do meu Coração


Ouço o vazio do meu coração
ecoando pelas escadas, descendo o corredor
Numa noite cega; brilha a Lua atrás das nuvens

Minha árvore secou
e ainda colho os frutos caídos
no chão do meu mar vazio

Estúpida sensatez que aflora em meu estômago
Louca, minimalista, me prendi entre as paredes
Coração vazio, seco, sem frutos

Vive a flora dos meus sonhos
Inquieto o silêncio sai pela janela
Morre então, explode num grito, dá vida a minha vida.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Canção de Mim Mesmo


Eu celebro a mim mesmo, 
E o que eu assumo você vai assumir,
Pois cada átomo que pertence a mim pertence a você.

Vadio e convido minha alma,
Me deito e vadio à vontade...
observando uma lâmina de grama do verão.

Casas e quartos se enchem de perfumes...
as estantes estão entulhadas de perfumes,
Respiro o aroma eu mesmo, e gosto e o reconheço,
Sua destilação poderia me intoxicar também, mas não deixo.

A atmosfera não é nenhum perfume...
não tem gosto de destilação... é inodoro,
É pra minha boca apenas e pra sempre...
estou apaixonado por ela,
Vou até a margem junto à mata sem disfarces e pelado,
Louco pra que ela faça contato comigo.

A fumaça de minha própria respiração,
Ecos, ondulações, zunzuns e sussurros...
raiz de amaranto, fio de seda, forquilha e videira,
Minha respiração minha inspiração...
a batida do meu coração...
passagem de sangue e ar por meus pulmões,
o aroma das folhas verdes e das folhas secas,
da praia e das rochas marinhas de cores
escuras, e do feno na tulha,
O som das palavras bafejadas por minha voz...
palavras disparadas nos redemoinhos do vento,
Uns beijos de leve... alguns agarros... o afago dos braços,
Jogo de luz e sombra nas árvores
enquanto oscilam seus galhos sutis,
Delícia de estar só ou no agito das ruas,
ou pelos campos e encostas de colina,
Sensação de bem-estar... apito do meio-dia...
a canção de mim mesmo se erguendo
da cama e cruzando com o sol.


Canção de Mim Mesmo,

de Walt Whitman

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O Amor e o Ódio


Cena 1: Entra o Divino. Dirige-se a mim e diz:

Outrora ventos a soprar, outrora mortes a contar.
Aqui jaz o Amor. Cinzas.

Soprei vida em tuas margens, bordei suas panaceias
Minhas linhas em tua carne está, minha vida na sua a restar

Uivam os ventos daquele morro, bate à minha janela o grande lobo
Feroz e raivoso, os outros assim o veem. Inocente ele é.

Cena 2: Sai o Divino. Entra o Malfazejo.

Do Amor, as cinzas restou; dele, levo a dor. Dos seus caminhos nada desenhados, do seu futuro borrado. Seus mil olhos não puderam ver; cego, coitado, não quir viver. Sua vitalidade é nenhuma. Sua história é inuma.

Ó, amores de tão belas vistas, viestes tú visitar o reino das agonias. Não desperdices tuas dramaturgias!

Cena 3: Sai o Amor e entra o Ódio
(No inicio dos tempos)

Num campo vasto e reluzente brincavam dois seres especiais, suas magias eram transcendentais. Um dia, sem motivo aparente, o Divino desceu dos céus. Repousou em vestes novas e saiu ao campo a plantar. Não houve fertilidade, porém. Não houve encantos também. Houveram apenas olhares e buscas.

O Divino então falou:

- Das sementes que vos dareis, destas que lhes mostro não planteis.

Num dia belo de primavera o Amor plantou uma semente. Sem saber o que cresceria, a regou todos os dias. No último dia a regar, entretanto, chamou o Ódio a um canto:

- Das minhas vestes sairá discórdias, não explico-te por hora, mas recompensas terás e por tanto a minha semente, hoje, regarás.

Destruição, rancor, mofino. Lamentação... Clamou ao Divino. Desce o mais belo ser. Com trovões e raios descontrolados, atira contra aquele ser calado. Atirado aos pés daquela flor que brotara, consumindo por escuridão que dela gritara. Correndo rápido pelo campo, voa o Divino e resgata o Amor; ele abraçado chora toda a dor. Daquele dia em diante, vive o Ódio errante, abandonado pelos erros alheios, enquanto o amor seduz o Divino com seus veraneios.

Cena 4: À Eternidade de Dor

Dos céus mais límpidos e azuis, dos brilhos eternos de luz
A dor que ali foi plantada, nunca - jamais - será curada
Eu, Deus da Eternidade, juro-te que sofrerás
Não por mim ou por Ódio, que era teu amigo, mas sim por teus atos que mostraram-se inimigos

Viverás a dor dos encontros e dos segredos escondidos
Plantarás inúmeros amores e colherás rios de dores
Não viverás Amores Eternos e não encontrarás paz em teus ardores
Dentre muitos que surgirão, porém, deixarei-te com alguns frascos de beleza
Pois deles precisarás para viver e então com este dever cumprir
Perderás sua perfeição e o Ódio então saberá que, um dia, poderá te perdoar.

Cena 5: O Ódio
(Nos tempos atuais)

É inverdade que não sou o bem. É impuro aqueles que me mantem. Sou do campo um ser liberto, sou das vestes a incerteza do Amor, o medo de plantar. Sou as teimosias daquele que me traiu. Eu, porém, amei um dia. E deste dia não pude lembrar, minha memória foi apagada, minha história foi borrada. Daquele raio que vivi, daquele tormento que levei, minha alma foi esquecida. Já não tenho mais lembranças de um campo perfeito. Se as tenho agora, vos contarei outrora.

(No meio dos tempos)

Vivendo minha vida injustiçado, caminhei perpetrado. Eis, porém, um dia que alguém à mim olhou, tocou meu rosto e então soprou. Minhas alegrias retornaram e o encantador então eu pude ver. Caminhamos alguns milênios e muito lamentação começou a surgir. Seu nome era Beleza. Mas ela já não queria mais viver e dizia guardar grande rancor, contou-me histórias de muita dor.

Beleza era muito bem amada, todos a admiravam. Suas histórias nem sempre eram tão belas, vivia dizendo que por trás do nome muitas peripécias estavam guardadas. Antes de morrer disse sabiamente:

- Não há paisagens tão belas e tão puras que não guardem segredos. Não sou perfeição, apesar de ser assim modulada. Não engana-te com vestes lindas, procure bem mais fundo. Cave um terreno vazio e plante ali, assim poderás ver os frutos que darão.

Sua morte então explicarei.

Cena 6: Aqui Jaz a Mentira

Próximo ao momento sublime ela chegara e quando se está próximo dos Céus as inverdades caem. Logo caiu uma parte de seu corpo, eu tentei colocar no lugar, mas percebi que aquele nome não era nativo dali. Vi faces e faces, entrei em frenesi. Do meu amor secular, uma mentira restou. Abri em dor. Dos meus campos belos, veio o Amor. Dos meus campos puros, veio a dor. Do meu esquecimento, um alguém. Das minhas impurezas, a Beleza.

O Amor tentou concertar, num tiro cego me levou direto ao altar. Suas dúvidas e medos trouxeram ilusão, mas no fim sobrou apenas a razão. Uma vida de eternidade ele não pode aguentar, sua semente acabara de brotar. Fui enganado mais uma vez. O que eu fiz, Divino?! Expliqueis!

Daqueles versos bonitos que compusemos, todas as linhas foram rabiscadas. Minha memória foi regenerada. Sofri indubitavelmente, eu sei. Não foi culpa minha, o Amor deixou tudo passar. Eu absorvi os medos e amarguras, as dores do mundo. Não pude mais habitar, tive que me isolar. Beleza então surgiu para me cuidar, assim sozinho eu nunca mais iria estar. Mas Beleza revelou-se ser Amor, disfarçado, acanhado, cheio de dor. Perdoo-te, Ó, errante meu. Aquela semente maldita já não eterniza os carinhos meus. Serás Eterno enquanto dure e eu estarei sempre acompanhando seus passos. Não deixarei jamais que alguém interfiras e por ti loucuras eu farei. Não saberás a dor dos sonhos perdidos, por Amor e para o Amor eu entrarei em guerra.


Cena 7: As Cores Se Confundem

Depois de narrar incertezas da história, o Divino me disse que o Ódio foi sempre Amoroso. Não soube bem interpretar, mas percebi que o Amor pode enganar. As vezes sementes de angústia crescem entre belas flores. Hoje já não sei mais sentir Amor ou Ódio. Os dois pólos se perderam. Não me resta nomear aquilo que, no mundo dos humanos, chamam sentimento. Tolos, inocentes, não sabem que Amor e Ódio um dia viveram.

Não arrisco usar tais nomes para fins sentimentais; o Divino me ensinou que devo tornar tudo abstrato. Hoje pinto a minha tela a minha maneira. Deixei os Campos e vivo nos Céus. Voo como um pássaro liberto que pousa em nuvens e sobrepassa ondas. Sou um eterno infinito de mim e, lá no fundo, lembro do Amor e do Ódio que um dia viveram. Faço deles um eu em mim. E vivo aquilo que me nomeio. Vivo aquilo que me faz. Aquilo que me move. Que não precisa nomear. Que não se descreve.

Cena 8: Um Nome Em Segredo

A Beleza negou suas virtudes e me ensinou a olhar o Amor, enquanto esse me ensinou que o Ódio tem origens e que ele pode não ser o culpado. Por último, ele me ensinou loucuras e esperanças, me ensinou inocência e turbulências. Uni tudo e criei um novo sentimento, mas ele se basta a mim. E a quem me toca. E a quem eu permito. No fim, volto a Cena 1 com a morte do Amor. E, acrescento que, depois dele, surge um novo ser especial, mas desta vez a história não saberá o nome de tal magia, assim não terá sementes para plantar. Aqui jaz um nome. E suas Cinzas tornaram-se minha Fênix. Eternamente minha.

sábado, 7 de abril de 2012

Poeiras de um Sábado Qualquer


Ó!, doce criança, não escondas tuas vestes de mim, da tua pele já vesti muitas e muitas vezes.

Doce sonho, eterno sonho, não se inspire em mim; meu corpo que em tu já não imagina mais.

Dos cubículos que me destes, nenhum dos sonos perdidos foi-se solitário, nenhum conto encontrado fez-se amargo. Jamais pesadelos vividos nesta fantasia recorrente.

Inspira-te em livros que leio agora e que dizem que "entre muitas outras coisas, tu eras para mim uma janela através da qual podia ver as ruas. Sozinho não o podia fazer." ¹

As vitórias teu corpo conta e das felicidades tuas almas são grandes sábias. Destas vestes que dominas, destas histórias que não contas... Vitórias entre paredes. São tuas!

Ó!, doce criança, não eternizes noites frias e desérticas. Aprendas, tu, a regozijar este corpo teu de esperanças no amanhã. Vejas a Lua lá fora, ainda que ela, lá, não esteja. Imagina-te banhado ao Sol, renascendo.

¹ Franz Kafka

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Contos de Eric Lima – Parte V


Prólogo

A minha vida tem seguido como um Oceano de segredos, no qual se mergulha profundo e podem-se encontrar tesouros que já não valem mais. Há alguns (muitos) meses eu segui minha própria jornada, num barco pequenino, cheio de emoções.  As ondas eram serenas e o meu Sol sempre brilhava forte. Segui a minha vida, segui os meus desejos,. Entreguei o mais íntimo de mim e nada em troca pedi. Apenas fui.

O Oceano é muito grande, e numa outra onda eu esbarrei, logo meu barco pequenino se transformou num grande navio. Ali se festejava todos os dias e noites; o céu era iluminado não só pela Lua, mas também pela felicidade que explodia até além do horizonte. Os olhos não podiam enxergar, pois o brilho do Amor era tão forte que cegava qualquer um que tentasse, entretanto criamos uma nova maneira de viver a nossa vida, sentíamos e víamos tudo apenas com o coração e seus sentimentos mais puros e belos.

A Lua eu sempre desejei. Era tão maravilhosa e doce. Daqueles raios muito me banhei. Ele do Sol gostava mais e, assim, nos completávamos em nossos contragostos. Tudo era impecável.

Vivi muitas batalhas, mas contei muitas vitórias. Dos erros muitas aprendizagens. Até que, um dia, sem qualquer explicação. Aquela onda grandiosa que mergulhava junto comigo saltou do navio. Pela noite, enquanto eu dormia, ela mergulhou nas ondas alheias. Eu não soube e não poderia adivinhar, mas a Lua estava lá e me contou tudo alguns meses depois.  


Histórias de um Luar

Contou-se muitos ventos em minhas histórias, contou-se muito de mim nas histórias de um outro alguém. Contei muito a mim mesmo que já não me pertencia a mim, contei muito aos céus que um arco-íris eu podia pintar.

Nos últimos tempos tenho plantado num campo verde com sementes promissoras, peguei um sol e o amarrei no meu céu, juntei algumas nuvens e as fazia transitar por ali as vezes. A lua eu sempre pintei com estrelas ao redor; a noite só se fazia noite porque ela estava ali.

Meu campo começou a se revoltar contra mim, não sei ao certo o que havia de errado, mas minhas plantações não geravam frutos. A minha vida eu deixei se revoltar e acabei por perder o controle. Haviam muitas placas indicando o caminho, mas risquei todas elas e simplesmente me ceguei aos céus. Com o tempo pude saber que aquelas sementes não guardavam fantasias, mas sim aquilo que era real. Não poderia eu tentar criar um sol ou ventos refrescantes, elas precisavam apenas de um pouco de realidade para poderem crescer firmemente.

Os últimos tempos não tem sido promissores, deixei de ser agricultor e passei a ser um contador de histórias. Desliguei-me daquilo que eu sempre quis fazer e me perdi em seduções do maravilhoso. Hoje tenho contado muitos contos e crônicas, meu corpo tem sido uma tela de poesias; falo muito do mundo alheio, mas esqueço a mim mesmo. São tempos difíceis, tempos de batalhas intensas, mas me percebi em mim e não me entregarei aos montes de canhões invencíveis.

Entro numa batalha infinita e acabo perdendo muito das rosas que estavam nascendo naquele meu campo tão desejado. Eu o queria florido, feliz. Mas minha tempestade quebrou muitas das minhas rosas; na verdade ela quebrou todo o meu palácio de beleza. Não é um lamento, mas não posso mentir e preciso dizer que é uma das maiores tristezas já vividas, apesar de que não sei se é assim porque eu assim o conto ou porque a minha realidade assim reflete. É uma dúvida insana que explode dentro de mim.


À Eternidade

Entre as dores do prólogo explicado, deixei o Oceano e fui plantar. Não é verdade que não o amo, pois o desejo com todas as forças do Universo que me banha. Mas a minha onda foi quebrada e persistir me levaria apenas a um mar desconhecido no qual eu deveria muito navegar e, lá na frente, com problemas comuns, ele se entregaria a ondas mais que não as minhas. Contei três vezes Ilhas desconhecidas na qual ele pisou; não há mais espaço para dores em meu coração. Ele já não enxerga mais.

Depois disso, me tornei agricultor. A Lua contou. Mas, não quero perdê-lo de vista, apesar de todos os erros nos amamos. Mas um amor louco que sempre busca brechas. Por isso, me fundi a Lua. E ele, ao Sol. Hoje passo as minhas noites plantando para que durante o dia ele possa vir com os seus raios e aquecer os meus frutos e, assim, o faço presente em minha vida. Não o quero longe, mas não o sinto tão perto como antes. Ele se afastou antes que eu pudesse pedir pra que não fizesse.

Minhas flores choram demais. Minhas raízes estão presas nas ondas dele. Meus frutos nascem felizes, mas minha Lua não o encontra no céu. Somos dois que deveriam viver em um. No eclipse nos encontramos.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Um Verso Assassino


Meus sonetos contam minha vida
Meu coração escreve cada refrão da minha melodia
Sangro minhas felicidades, sangro minhas dores

As cores mais belas criei,
os suspiros mais profundos te dei
Te fiz meu mundo e mergulhei

Minha árvore chegou a Primavera
Dos seus galhos muitas flores nasceram, muitos frutos morreram
Do seu tronco muitas marcas surgiram

Meus poemas são quase que um grito
Minhas escritas se tornam um atrito
Fujo da realidade, sou a queda de um meteorito

A Terra completou uma volta completa,
mais dois meses se passaram
Algumas angústias restaram

Meu soneto foi borrado por um refrão malcriado
Ensinei tantas vezes, mas ele foi desgraçado
Lutei em vestes brancas, estou todo manchado

Foi-se belas harmonias, foi-se bela melodia
As minhas mãos carregam amor, o meu corpo treme como um tambor
Minha razão já não funciona mais

Ó histórias incriveis de minha vida
Por que criar um refrão tão indigno a nós?
Dois, um, dois; você e eu; você, eu. Ainda assim nos confortando.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

De Você, um Eu de Mim


Sonha a dor de tempos malditos
Chora a dor de tempos perdidos
Canta os gritos do Amor Maior
Soa os ventos do meu último Dó

Sou uma criança de uma colheita feliz
Sou as raízes de uma mediatriz
Vivo as terras do meu olhar perfeito
Brinco os risos de um sorriso estreito

Não sou imperfeição e dor
Não são lamentos de um horror
Faço-me feliz ao te cuidar
Ainda encanto-me no teu olhar

És de mim meu bem maior
És de mim um eu sem nó
Esquecido nunca serás
Do meu lado, pra sempre, estarás

Não correr um do outro jamais
Não temer o futuro, advirtais
E nunca, jamais, finalizar a nossa ida
E infinitamente erguer a nossa vida

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Uma Eternidade de Amor


Num momento inespecífico da história dois grandes símbolos se encontram. Seus nomes chamam Eternidade e Amor. Contam-se breves palavras trocadas por eles, mas contam-se muitos momentos vivenciados a partir deles:

Chegou ao precipício e perguntou:
- Se eu cair, chegarei ao fim?

E ele, rapidamente, respondeu:
-Não! Não há fim!

E então, serenamente, o Amor se jogou. Criou-se o Amor Eterno.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Um Deserto de Você


Uma rosa de céu nublado se abriu hoje
Frenesis de um camaleão brotam em mim
Meu corpo todo é mutilado,  todo o meu corpo é moldado

Das minhas raízes tú já não brotas mais,
das minhas terras o novo eu sabe do que sou capaz
Sou de mim um eu que vive em você

Sombras da Lua caem em meu jardim, minha rosa exala você
Num querer, num morrer, num novo nascer, você
Ser humano que já não suportas mais

Sou extraterrestre de mim mesmo, e te roubo em mim
Sou dum mundo de nós dois
Sou dos desertos solitários um oasis de albatroz

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Fragmento de Uma Eternidade


Conta-se um fragmento acerca de um homem de jovens histórias, mas com um coração cheio de antigos amores. Mortos, coitados. Ele, vivo, porém, achando ter sofrido...

Há Algumas (Muitas) Horas Atrás

Sou feito de um tempo corrido, um tempo sereno; sou pétalas de rosas caídas, sou chamas de um fogo ardente. Nos últimos tempos tenho tentado criar peripécias, pois o meu corpo já não as produz mais; tenho morrido a cada dia e tenho tentado sobreviver a cada minuto deles. Sou feito de um vulcão gélido, de uma paisagem negra; sou o fruto proibido, mas meu veneno foi dissipado. Sou a sintonia de um esqueleto em uma lápide esquecida.

Ele, agora, vivido, louco de amores e sentidos...

Há Alguns (Poucos) Minutos Atrás

Meu coração bate memórias que parecem se eternizar. São sonhos loucos e passageiros e ligeiros, batem forte contra a minha cabeça e parecem insanos saltando dentro de mim. Meu coração bombeia algo que não tenho reconhecido mais e minha mente tenta decodificar as mensagens levadas por ele. Os anticorpos não são mais uma solução necessária, descobri que não posso combater a mim mesmo.

Guardou-se histórias contadas ao vento, seus fragmentos caíram ao lado da minha cama. Eu os li, os engoli. Abri aquele corpo e descobri que não havia um, mas sim dois. Viviam dois naquele coração feliz. No verso da escritura havia uma nota:

Somos como uma labareda infinita e que por mais que pareça morrer, nunca deixará de existir. Somos as Cinzas dessa mesma labareda e se um dia nos apagam, como Fênix renasceremos. Nossa história é mais que um fogo ardente, são histórias de dois corações interligados que queimam um único amor juntos e ao final morrem para poderem então renascer. Somos uma novidade a cada Cinza que renasce. Somos um. E isso resume tudo. Tudo.