domingo, 29 de janeiro de 2012

Um Verso Assassino


Meus sonetos contam minha vida
Meu coração escreve cada refrão da minha melodia
Sangro minhas felicidades, sangro minhas dores

As cores mais belas criei,
os suspiros mais profundos te dei
Te fiz meu mundo e mergulhei

Minha árvore chegou a Primavera
Dos seus galhos muitas flores nasceram, muitos frutos morreram
Do seu tronco muitas marcas surgiram

Meus poemas são quase que um grito
Minhas escritas se tornam um atrito
Fujo da realidade, sou a queda de um meteorito

A Terra completou uma volta completa,
mais dois meses se passaram
Algumas angústias restaram

Meu soneto foi borrado por um refrão malcriado
Ensinei tantas vezes, mas ele foi desgraçado
Lutei em vestes brancas, estou todo manchado

Foi-se belas harmonias, foi-se bela melodia
As minhas mãos carregam amor, o meu corpo treme como um tambor
Minha razão já não funciona mais

Ó histórias incriveis de minha vida
Por que criar um refrão tão indigno a nós?
Dois, um, dois; você e eu; você, eu. Ainda assim nos confortando.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

De Você, um Eu de Mim


Sonha a dor de tempos malditos
Chora a dor de tempos perdidos
Canta os gritos do Amor Maior
Soa os ventos do meu último Dó

Sou uma criança de uma colheita feliz
Sou as raízes de uma mediatriz
Vivo as terras do meu olhar perfeito
Brinco os risos de um sorriso estreito

Não sou imperfeição e dor
Não são lamentos de um horror
Faço-me feliz ao te cuidar
Ainda encanto-me no teu olhar

És de mim meu bem maior
És de mim um eu sem nó
Esquecido nunca serás
Do meu lado, pra sempre, estarás

Não correr um do outro jamais
Não temer o futuro, advirtais
E nunca, jamais, finalizar a nossa ida
E infinitamente erguer a nossa vida

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Uma Eternidade de Amor


Num momento inespecífico da história dois grandes símbolos se encontram. Seus nomes chamam Eternidade e Amor. Contam-se breves palavras trocadas por eles, mas contam-se muitos momentos vivenciados a partir deles:

Chegou ao precipício e perguntou:
- Se eu cair, chegarei ao fim?

E ele, rapidamente, respondeu:
-Não! Não há fim!

E então, serenamente, o Amor se jogou. Criou-se o Amor Eterno.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Um Deserto de Você


Uma rosa de céu nublado se abriu hoje
Frenesis de um camaleão brotam em mim
Meu corpo todo é mutilado,  todo o meu corpo é moldado

Das minhas raízes tú já não brotas mais,
das minhas terras o novo eu sabe do que sou capaz
Sou de mim um eu que vive em você

Sombras da Lua caem em meu jardim, minha rosa exala você
Num querer, num morrer, num novo nascer, você
Ser humano que já não suportas mais

Sou extraterrestre de mim mesmo, e te roubo em mim
Sou dum mundo de nós dois
Sou dos desertos solitários um oasis de albatroz

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Fragmento de Uma Eternidade


Conta-se um fragmento acerca de um homem de jovens histórias, mas com um coração cheio de antigos amores. Mortos, coitados. Ele, vivo, porém, achando ter sofrido...

Há Algumas (Muitas) Horas Atrás

Sou feito de um tempo corrido, um tempo sereno; sou pétalas de rosas caídas, sou chamas de um fogo ardente. Nos últimos tempos tenho tentado criar peripécias, pois o meu corpo já não as produz mais; tenho morrido a cada dia e tenho tentado sobreviver a cada minuto deles. Sou feito de um vulcão gélido, de uma paisagem negra; sou o fruto proibido, mas meu veneno foi dissipado. Sou a sintonia de um esqueleto em uma lápide esquecida.

Ele, agora, vivido, louco de amores e sentidos...

Há Alguns (Poucos) Minutos Atrás

Meu coração bate memórias que parecem se eternizar. São sonhos loucos e passageiros e ligeiros, batem forte contra a minha cabeça e parecem insanos saltando dentro de mim. Meu coração bombeia algo que não tenho reconhecido mais e minha mente tenta decodificar as mensagens levadas por ele. Os anticorpos não são mais uma solução necessária, descobri que não posso combater a mim mesmo.

Guardou-se histórias contadas ao vento, seus fragmentos caíram ao lado da minha cama. Eu os li, os engoli. Abri aquele corpo e descobri que não havia um, mas sim dois. Viviam dois naquele coração feliz. No verso da escritura havia uma nota:

Somos como uma labareda infinita e que por mais que pareça morrer, nunca deixará de existir. Somos as Cinzas dessa mesma labareda e se um dia nos apagam, como Fênix renasceremos. Nossa história é mais que um fogo ardente, são histórias de dois corações interligados que queimam um único amor juntos e ao final morrem para poderem então renascer. Somos uma novidade a cada Cinza que renasce. Somos um. E isso resume tudo. Tudo.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Fragmento de Uma História


As folhas secas despertam a primavera que há lá fora. O mundo gritou meu nome, mas eu não soube responder. Os ventos surgem mais fortes que antes e eu acho que posso correr nas ruas. Elas são solitárias e agora a noite cai, não sei dar espaço ao tempo e não sei dar tempo ao espaço, logo faço a união das minhas linhas e as interligo em mim. Vivo como um passaro que canta meus bens, canto minhas histórias pro Sol ouvir; agora que a noite me acaricia, eu sento à beira da rua e deixo meu olhar adentrar profundamente a Lua; como é bela!

Há muito vento por aqui e as nuvens da manhã se esconderam. Há um belo céu estrelado e me banho em gratidão. Não sei ao certo a que sou grato, mas me sinto dominado pelo espirito noturno.

Ouço uma melodia ao fundo que me balança em seus braços, não me dedico a entender o que se é dito, meus pensamentos se concentram em jorrar as letras que agora escrevo. Não estou em um mundo épico e não estou num mundo tonto, estou aqui, estou ali, estou lá em baixo, estou lá em cima, estou no meio, estou. Apenas estou.

Eu poderia dizer que sou as correntes de um mar uivante que grita por suas conquistas e suas derrotas. Já engoli muitos navios e os guardo eu meu museu. Eu sou gelo e sou, também, fogo ardente. Eu sou o Sol que morre em mim e sou a Lua que nasce aqui. Mas no fim, não quero fazer com que pensem que sou tão somente esse mar uivante. Resumo a dizer que sou eu e que sendo eu me sinto em mim.

Um fragmento de mim caminha pelo quarto, as luzes estão apagadas e o vento sopra distante. Estou deitado e numa fração de segundo estou em pé. Me sinto triste, mas me sinto honrado. Converso com dois, mas quero um. Me sinto no meio de um grupo que não posso dominar. Sinto que toco muitos e que poucos podem me adentrar, mas ainda assim insisto numa ligação frequente com o mundo externo.

Dos tesouros que escondi, apenas um eu encontrei. Plantei árvores de segredos e hoje colho frutos de fantasias. Imagino cada passo de mim e sem saber que posso muito acabo por andar um kilometro ou dois. Nado nas minhas dunas e acabo encontrando um oasis; sou águas abundantes em meio a um deserto; sou a necessidade de uma miragem inalcançavel. Sou histórias que não se explicam, sou meios que não possuem inicio e fim, mas que apenas nascem.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Uma Folha Branca de Mim


Brota de mim a ausência de uma folha em branco
Sementes de palavras surgem nas minhas fronteiras
Mas folhas de decepção crescem em minhas veias

Meu sangue jorra ouro
E minhas lágrimas derramam amor
Minha lápide descreve outro nome

Minhas nuvens são pintadas negras
Eu as chamo escuridão
Meu lamento é ser eu

As tempestades eu faço
E com os trovões eu converso
A neblina não me cega

Sou parte de outro ser que vive em mim
Sou moedas em um cofre
Sou a harmonia de um acorde

Chamo-me por mim
Mas quem atende é um eu que não sei
Grito suave para mim

Sou sussuros de partes perdidas
Fui uma flor solitária numa floresta
Sou o Sol de uma manhã fria.

domingo, 14 de agosto de 2011

Uma Lembrança de Você


De um mundo ao outro
De abraços a afagos
Sobre um terno gentil
Sobre um véu sutil

Serenas melodias
com lágrimas corridas
Singelas memórias
de força estrondosa

Um dia de Sol, com ventos ao redor
Um dia d'Ele de ausência
O coração se recheia de presença
O grito forte chama por Ele

E lá do céu se ouve responder
E as nuvens desenham o seu rosto
Os belos anos vividos
Um homem, uma família, no coração, Pai.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Se você ama, diga que ama.


Se você ama, diga que ama. Não tem essa de não precisar dizer porque o outro já sabe. Se sabe, maravilha… mas esse é um conhecimento que nunca está concluído. Pede inúmeras e ternas atualizações. Economizar amor é avareza. Coisa de quem funciona na frequência da escassez. De quem tem medo de gastar sentimento e lhe faltar depois. É terrível viver contando moedinhas de afeto. Há amor suficiente no universo. Pra todo mundo. Não perdemos quando damos: ganhamos junto. Quanto mais a gente faz o amor circular, mas amor a gente tem. Não é lorota. Basta sentir nas interações do dia-a-dia, esse nosso caderno de exercícios.

Se você ama, diga que ama. A gente pode sentir que é amado, mas sempre gosta de ouvir e ouvir e ouvir. É música de qualidade. Tão melodiosa, que muitas vezes, mesmo sem conseguir externar, sentimos uma vontade imensa de pedir: diz de novo? Dizer não dói, não arranca pedaço, requer poucas palavras e pode caber no intervalo entre uma inspiração e outra, sem brecha para se encontrar esconderijo na justificativa de falta de tempo. Sim, dizer, em alguns casos, pode exigir entendimentos prévios com o orgulho, com a bobagem do só-digo-se-o-outro-disser, com a coragem de dissolver uma camada e outra dessas defesas que a gente cria ao longo do caminho e quando percebe mais parecem uma muralha. Essas coisas que, no fim das contas, só servem para nos afastar da vida. De nós mesmos. Do amor.

Se você ama, diga que ama. Diga o seu conforto por saber que aquela vida e a sua vida se olham amorosamente e têm um lugar de encontro. Diga a sua gratidão. O seu contentamento. A festa que acontece em você toda vez que lembra que o outro existe. E se for muito difícil dizer com palavras, diga de outras maneiras que também possam ser ouvidas. Prepare surpresas. Borde delicadezas no tecido às vezes áspero das horas. Reinaugure gestos de companheirismo. Mas não deixe para depois. Depois é um tempo sempre duvidoso. Depois é distante daqui. Depois é sei lá...
Ana Jácomo

sábado, 16 de julho de 2011

Contos de Eric Lima - Parte IV


Sou de mim um alguém que escreve condutas e termos que não sei regrar. Neste Conto não sou a continuação daqueles outros já contados, tampouco sou um excerto de uma filosofia vivida, sou palavras vivas e letras ardentes; apesar de não saber o que venho contar, me ponho a escrever e sinto a brisa me guiar por linhas de uma montanha-russa de pensamentos. Deixo o arco-íris de mim transbordar as minhas cores.
 
Os últimos tempos tem sido calorosos, apesar de muito friorentos em determinadas etapas. Aprendo a controlar os fenômenos de mim e sem perceber acabo sendo controlado por outro; controlado não é bem a palavra certa a ser usada, já que me completo ao deixar que outra mão guie a máquina de mim.

As folhas de minha árvore caíram muito nos últimos meses, hoje elas voltaram a renascer, mas confesso que houve semanas em que pensei que meu tronco seria queimado pelo Sol ardente; ele acalenta, claro, todavia chegou forte demais... Quase não podemos resistir. Aqui eu uso nós, pois já não sou o único em mi, dentro do meu corpo vivem dois. Ou três? Perdi-me na definição daqueles que vivem aqui dentro. Conto um que sou eu mesmo, conto dois que sou outra parte que vai contra a primeira e conto três que é aquele que é externo a mim, mas que se faz tão presente e único que bate forte no meu coração.

Houveram momentos de boas batalhas e houveram momentos de colheitas infelizes. Nas minhas pesquisas, muito faltei. Das minhas rosas, muito cuidei. Troquei o lápis por beijos e me derreti em sabores; a conseqüência é inevitável e sei bem que meses mais serão contatos em minha dedicação final de leitura/aprendizagem.

Entro num grande castelo e me vejo como rei, mas não autoritário ou um deus da razão. Vejo um que fala num idioma diferente daquele que escrevo agora e vejo pessoas que ouvem, mas que dominam as letras que aqui escrevo; elas atentam e absorvem. Sei que daqui a alguns meses serão dominadoras da linguagem daquele rei. Hoje o rei ensina um, pratica três e amanhã ensinará dois, é certo. Num futuro, talvez, três ou mais.
Os coros da minha vida são muitos, canto nuvens e estrelas, canto águas e cachoeiras, canto vozes de desejos que um dia se cumprirão. Grito forte contra o céu, quero expandi-lo acima de mim e para mim.

Sou incertezas entre versos. Sou escrita orgulhosa, sou escrita certa, sou escrita imprecisa, sou dono de rimas, ainda que não as saiba interligar; escrevo aqui aquilo que não sei, não leio antes para os excertos combinar, escrevo apenas tudo que minha mente pode projetar. Chamo-os excerto, pois não são um todo de mim, são pensamentos corridos que se transportam em minha mente, os fotografo rapidamente aqui em minhas linhas. Se os perco, não importa, se os ganho, guardo a memória.

Ligo a televisão e vejo a tela de mim passar, assisto a tragédias e vitórias, assisto a dramas e romances bem vividos. Troco as telas por músicas e meus dias se tornam cantados. Sento ao piano e acaricio as notas do mundo, sem saber manejá-lo, imagino as cores que saltam de sua melodia.

Vivo o amor de um furacão sereno, vivo o amor de um furacão indomável. Os seus ventos são surpresas pra mim, corro dele e para ele, corro com ele e me banho nele. Quase sempre morre em vento sereno e nasce um aconchego inigualável, as vezes se lembra de que é um furacão e causa algumas dores, mas logo as acaricia. Ainda que eu não saiba até onde posso suportar, tenho amado bem. É uma natureza sem fim. Admiro-a em mim.

Nestes versos que muito contei, sempre haverá frases perdidas e parágrafos inteligíveis. Não são pedaços de você ou pedaços de mim, são reflexos do eu que vive aqui e são um todo do amanhã que construo. Guardo as histórias que me conto. Guardo o sangue que trasborda as felicidades e as tristezas de mim. Sou mais que lápis, papel, mais que um feliz extremo de mim. Sou eu, sou único, sou dois, sou três, sou um milhão de incontáveis números que nascem e morrem em mim.